22 Maio, 2008

Justificativa bíblica para injustiça? Não!

Nossa sociedade é corrupta e enganadora. Não, você diz, nosso governo é corrupto e enganador. Sim, também. Mas não podemos nos excluir, pois em mínimas coisas também demonstramos agir dessa maneira. Entretanto, não é esse o foco que quero dar. Mas no quanto é lamentável que pessoas que se dizem cristãs ajam também dessa forma. Algumas pessoas que deveriam ser ainda mais exemplares, por se ocuparem de determinadas funções. E o pior: agem de forma injusta (creio que essa palavra inclui tudo) utilizando bases bíblicas totalmente fora de contexto para justificar seus atos.

Existe um pensamento, talvez não explícito, de que cada lugar pede um tipo de atitude. Ou seja, em minha casa eu sou de uma forma, no trabalho de outra, na igreja de outra... Ninguém diz isso, mas a maioria faz isso. A conseqüência é exatamente atos anti cristãos, como a injustiça.

Um exemplo prático: o dono (que se diz cristão) de uma empresa contrata diversos funcionários. Ele opta por contratar funcionários cristãos, seja por qual motivo for (por pertencer à sua igreja, por exemplo). Apesar disso, sua atitude é totalmente fora da Bíblia, que nos manda ser justos - não dá aumento de salário, explora os empregados, não assume responsabilidades perante os problemas deles etc. Porém, se questionado, lança versículo atrás de versículo para se justificar. Versículos, aliás, que nada têm a ver com o assunto.

Esperem! Afinal, o que ele quer citando a Bíblia? Nada além de intimidar seus funcionários, pois se sua postura fosse, de fato, de acordo com a Bíblia, ele não seria enganador e injusto. Não é incrivelmente triste perceber o quanto a sujeira que sempra apontamos tão longe, está tão perto?

Se é para ser cristão, sejamos sempre, em todos os lugares. Não devemos esconder nossas atitudes atrás da Bíblia. Aliás, uma resposta para nosso exemplo, seria uma analogia que Paulo faz quando fala de obras, em Romanos 4:4 - "Ora, o salário do homem que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida." Ou uma passagem em Jeremias, que fala sobre os reis injustos, mas se aplica totalmente no exemplo (Jeremias 22:13-17): "Ai daquele que constrói o seu palácio por meios corruptos, seus aposentos, pela injustiça, fazendo os seus compatriotas trabalharem por nada, sem pagar-lhes o devido salário. Ele diz: 'Construirei para mim um grande palácio, com aposentos espaçosos'. Faz amplas janelas, reveste o palácio de cedro e pinta-o de vermelho. 'Você acha que acumular cedro faz de você um rei? O seu pai não teve comida e bebida? Ele fez o que era justo e certo, e tudo ia bem com ele. Ele defendeu a causa do pobre e necessitado, e, assim, tudo corria bem. Não é isso que significa conhecer-me?' declara o senhor. 'Mas você não vê nem pensa noutra coisa além de lucro desonesto, derramar sangue inocente, opressão e extorsão.'"

"Não é isso que significa conhecer-me?"
Deus espera de nós uma postura íntegra. Em todas as áreas. Sejamos justos antes de exigir justiça. É isso o que significa conhecer o Senhor.

16 Maio, 2008

Um dia pra respirar!

Estou triste comigo mesma por estar postando muito pouco aqui. Infelizmente não vejo como posso aumentar minha freqüência em meio a tantas coisas para fazer, ler, estudar, resolver... Esse post seria até um pedido de desculpas pela ausência inclusive nos blogs dos meus queridos amigos blogueiros. É um pedido de desculpas também. Mas comecei a escrever simplesmente pra falar um pouco. É notável que não tenho o costume de falar sobre mim por aqui, exceto raras vezes. Mas me deu vontade hoje.

Ganhei um dia pra respirar. Agora não terei mais aulas nas sextas-feiras. Estar feliz por isso não é a melhor maneira de definir como estou. Não terei aulas porque cancelei o curso de Introdução à Ciência Política. E não é por me desesperar por falta de tempo, a história é longa... Posso talvez resumir assim: um péssimo professor que não deu o conteúdo do curso, quase no fim do semestre daria uma prova ridícula, os alunos não teriam base bibliográfica, muito menos anotações ou memorizações de aulas, porque simplesmente não havia aula. Houve tentativa de tirá-lo, não deu certo. Houve tentativa de substituí-lo, também não funcionou. As opções que surgiram foram: aceitar continuar nas "aulas", com um programa de curso ainda mais ridículo e a substiuição da prova por dois trabalhos, ou o cancelmento do curso (tendo que fazê-lo depois, obviamente). Até hoje, mais da metade da sala havia cancelado o curso. Eu cancelei porque não entrei na universidade para não aprender. Nota é essencial, sim. Mas do que adianta nota sem conteúdo? De qualquer modo, o curso já estava perdido, já que não aprendemos nada. Então é melhor perder, sabendo que terei a chance de tê-lo com um professor capacitado, a garantir uma nota sem ter o curso.

Por isso não posso dizer que estou feliz. Preferiria, claro, não ter que jogar esse curso pra frente, mas nas circunstâncias... O lado bom realmente é ter um dia livre. Livre que digo é para ler e estudar as outras matérias, que não estão em dia. Quem faz um curso de Humanas sabe que lemos mais que respirar. E não ter uma janela no curso esse semestre (e só teremos no 5º!) é o horror, o horror... Além de um dia pra estudar outras coisas, poderei ir assistir as aulas de História e Filosofia. Muito me agrada, porque na sexta-feira o primeiro ano de Filosofia estuda Teoria do Conhecimento e História estuda Brasil. Mas nesse caso é só curiosidade.

Essa semana estive pensando que eu sou um problema muito grande. Sim, eu sou o problema. Porque vejo pessoas trabalhando e estudando ao mesmo tempo, além de ter uma família pra dar atenção. Na minha sala mesmo, existem pessoas que estudam em outro lugar também, uma faculdade particular. Conheço pessoas que já estão com temas de pesquisas e projetos prontos. E eu mal consigo manter em dia todas as leituras. Sequer sei que área vou seguir de fato. Acho que estou um tanto lenta. Isso não é legal. Só não fico mais triste porque não dá tempo (rs). E deixo de postar aqui, por exemplo. Preciso postar um texto que estou acabando sobre um tema sugerido, será meu próximo post. Mas e o tempo pra acabar? Deixo de fazer mais um milhão de coisas, pois não há tempo. E se, por algum milagre, sobra um tempinho, o cansaço vence e eu durmo.

Sabe quando dá vontade de largar tudo? É isso. Mas tudo mesmo. Simplesmente se enfiar no meio do mato, ou numa caverna. Uma vida calma. Com mais de um dia pra respirar. Mas eu já falei tanto, não? Chega. Me desculpem por sair da órbita dos textos do meu blog (rs). Inté.

07 Maio, 2008

O menino do dedo verde

Ainda sem tempo (até quando?), hoje deixo mais um recorte. É de um livro muito bonitinho que se chama "O menino do dedo verde", do autor Maurice Druon. Quem leu "O pequeno príncipe" certamente gostará de ler esse. Não, as estórias não são parecidas. Mas existe a mesma idéia de ser um livro para crianças que serve muito mais para adultos. Eu recomendo. E dá pra ler em uma horinha, porque é um livro pequeno. Não farei comentários, fica aí o trecho pra vocês pensarem e se interessarem em ler tudo (rs).


"- Cadeia é isso? - perguntou Tistu.

- Sim, é isso. - disse o Sr. Trovões. - É o edifício que serve para manter a ordem.

Eles foram acompanhando a parede e chegaram diante de uma grade preta, muito alta, toda eriçada em pontas. Atrás da grade preta viam-se outras grades pretas, e atrás da parede triste, outras paredes tristes.

- Por que é que os pedreiros puseram essas horríveis pontas de ferro por toda parte? - perguntou Tistu.

- Para impedir que os prisioneiros fujam.

- Se esta cadeia não fosse tão feia - disse Tistu - talvez eles tivessem menos vontade de fugir.

As faces do Sr. Trovões ficaram tão vermelhas quanto as orelhas.

'Que menino esquisito!' penstou ele. 'Toda sua educação está por ser feita.' E acrescentou em voz alta:

- Você deveria saber que um prisioneiro é um homem mau.

- E colocam o prisioneiro aqui para curar sua maldade?

- Experimentam. Tentam ensinar-lhe a viver sem matar e roubar.

- Mas eles aprenderiam bem mais depressa se o lugar não fosse tão feio!

'Ah, ele é cabeçudo!' - pensou o Sr. Trovões.

Tistu viu, atrás das grades, prisioneiros caminhando em roda, de cabeça baixa e sem dizer palavra. Pareciam terrivelmente infelizes, com a cabeça raspada, as roupas listradas e os sapatos grosseiros.

- O que é que eles estão fazendo?

- Estão em recreio - disse o Sr. Trovões.

'Imaginem!' pensou Tistu. 'Se o recreio deles é assim, o que não serão as horas de aula! Esta prisão é muito triste!'

Sentia vontade de chorar, e não disse uma só palavra no caminho de volta. O Sr. Trovões interpretou esse silêncio como um bom sinal e pensou que sua lição de ordem começava a produzir frutos.

Mesmo assim, escreveu no caderno de notas de Tistu: 'É preciso viajar de perto este menino; ele pensa demais.'"

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Aproveitando o post, quero agradecer ao Milton pelo selo que ele indicou ao meu blog. Obrigada por mais esse selinho (estou colecionando, rs).



Indico esse selo ao blog da Suzana: Quem não se arrisca não petisca

30 Abril, 2008

Uma visão estudantil - Parte I: comentário geral

Comentei num post anterior sobre minha falta de tempo em escrever aqui. Dentre outras coisas, um dos motivos é minha participação no movimento estudantil da universidade em que estudo (UNIFESP), que me tomou bastante tempo em assembléias, protestos e afins. Pretendo comentar depois sobre alguns pontos específicos e de forma não pessoal. Farei isso em posts seguintes.

Antes que tirem conclusões: não, eu não sou líder de nada, nem faço parte de nenhum grupo dentro da universidade (como centro acadêmico, ou mesmo partidos políticos). Minha participação nesse movimento é por acreditar que, como estudante, tenho o direito e o dever de, alguma forma, fazer valer minha opinião, assim como exigir melhorias para o curso e universidade, como um todo. Através do voto em assembléias, por exemplo. As assembléias, aliás, são as maiores responsáveis pela falta de tempo, devido a tanta divergência de opinião. Bem, mas essa intensa atividade nas últimas semanas se deve a uma razão principal: a falta de escrúpulos do reitor.

Para quem não sabe, o reitor da UNIFESP, Ulysses Fagundes Neto, é um dos envolvidos no escândalo dos cartões corporativos. Entre viagens, restaurantes caríssimos e cosméticos (pasmem!), ele gastou cerca de 12 mil reais. Pouco, você pode pensar, comparado aos gastos de outros por aí. Sim, se fosse apenas isso. Mas ano passado ele já teve de se explicar por utilizar cerca de 80 mil e agora têm aparecido outros problemas, como acúmulo de cargos e sobre isso ele deverá prestar contas de 144 mil reais. A verdade é que não importa o quanto ele gastou, e sim a atitude. Sobre os gastos dos cartões, ele deu a explicação de que não sabia exatamente as regras de uso (?) e se confundia, muitas vezes, com outros cartões (???). Porém, seja por falta de escrúpulos, ou de competência, uma coisa é certa: não é possível aceitar um reitor assim. Principalmente porque enquanto o senhor em questão se confunde com regras e cartões, os campi estão em situações lamentáveis. Exceto, claro, um que recebe dinheiro diretamente para se manter e é o mais tradicional. Por isso, aceitam as desculpas esfarrapadas do reitor. Esses "detalhes", porém, vou abordar em outro post.

O movimento que têm ocorrido é uma luta interna, já que os favoráveis ao reitor são contra greve e ocupação da reitoria, por exemplo. E ameaçaram, inclusive fisicamente, aqueles que já passaram pela fase de mandar cartinha, ou tentar uma conversa com e ele e sabem que só uma atitude mais "extrema" resolverá, pelo menos em partes, o problema. E é uma luta externa, contra um reitor corrupto, que pouco se importa com a qualidade da educação, e contra a pequena participação estudantil em assuntos que dizem respeito principalmente (ou unicamente) aos estudantes.

Na última assembléia geral, um estudante de medicina teve a infelicidade de soltar a seguinte frase: "Nós, como estudantes, devemos ser apolíticos". Talvez ele não perceba que em tudo o que fazemos, em qualquer lugar que vamos, a política está presente. E ignorar isso é motivo de vergonha.

23 Abril, 2008

Sobre impor sua opinião

Interessante. As pessoas gostaram de saber como ser um pseudo-intelectual. Foi um dos posts mais comentados na curta e humilde vida do meu blog. Posso dizer que também gostei de passar informações tão úteis a todos e isso me motivou a fazer tal coisa mais vezes. Sendo assim, volto com outras dicas e um novo marcador: (In) utilidades.

Dessa vez, vamos observar alguns pontos que nos ajudarão a impor mais facilmente nossa opinião. O que é ótimo, pois podemos usá-los sendo pseudo-intelectuais ou não. Sim, pois existem pessoas que sabem discutir, argumentar e até mesmo se deixar convencer, se for o caso, mostrando que uma discussão é sempre edificante para ambas as partes. Porém elas estão erradas! Em uma discussão não deve existir outras partes além da sua. Vamos, então, ao que realmente importa. Faça sua opinião prevalecer da seguinte forma:

1. Participe sempre de discussões com temas que você conhece mais. Certamente haverão participantes leigos, que querem apenas questionar para aprender. Ou ainda alguns que não estão tão "por dentro" do assunto como você. Isso fará com que tenhas o domínio da palavra e influencie os demais.

2. Se você não sabe sobre o tema discutido, mas quer ser ouvido, tome partido de algum lado e o defenda como puder.
2.1. De preferência, escolha o lado que tenha menos defensores, pois assim você terá mais chance de falar.

3. Finja que escuta o que o outro está dizendo. Você pode fazer isso balançando a cabeça afirmadamente, sorrindo com o canto da boca, ou fazendo cara de quem está pensando na fala (sombracelhas enrugadas, mão no queixo).
3.1. Você pode usar todas as expressões juntas.
3.2. Não balance as pernas, mexa no cabelo ou estale os dedos.
3.3. Após "ouvir" o que o outro disse, volte onde parou como se não tivesse sido interrompido e sem considerar a outra opinião.

4. Em discussões mais calorosas simplesmente não ouça. Interrompa, grite e agite as mãos.

5. Lembre-se sempre de que a sua opinião é a válida. Somente ela. E é seu dever impor aos demais algo tão valioso como seu próprio ponto de vista.

20 Abril, 2008

Ausência, desculpas, selo

Olá, pessoas! Hoje eu vim aqui por dois motivos: pedir desculpas pela demora em postar algo. Ando realmente sem tempo, especialmente na última semana, que foi uma correria só. Sobre os acontecimentos da última semana que me fizeram sumir, comentarei em breve, num outro post. Posso dizer que fiquei entre assembléias, protestos e um estresse intenso por conta de um reitor ladrão e corrupto. Semana que vem provavelmente outras coisas acontecerão. Mas farei um esforço enorme pra passar por aqui e nos blogs do pessoal.

O outro motivo é que a Suzana indicou um selo ao meu blog (já faz uns dias) e eu quero agradecer, de verdade. Esses selos me deixam feliz mesmo, porque às vezes nem eu dou tanto valor ao meu blog (rs), mas é legal ver que as pessoas fazem isso. Obrigada, Suzana. E me desculpe pela demora. O selo é este:




Indico esse selo para:

Relatos de uma guerra pessoal
Chegou o tempo e
Meu cantinho

10 Abril, 2008

Memória real

Quando somos crianças as coisas ganham um grau de realidade muito alto. Todas as coisas. Tanto que, embora durante a infância, ou anos depois, ninguém acredite que determinado acontecimento possa ter sido real, mesmo depois de tanto tempo, nós temos a certeza de que sim, foi real.

Eu e meus irmãos, por não sermos um número pequeno (4) e sem grande diferença de idade, costumávamos brincar juntos. E nos divertíamos muito quando as brincadeiras não terminavam em brigas... Está bem, também era divertido quando (quase sempre) brigávamos no final. Uma das nossas brincadeiras prediletas era esconde-esconde no escuro. Escolhíamos um quarto, apagávamos as luzes, fechávamos a porta, impedindo que qualquer claridade pudesse entrar. Minha irmã mais velha contava, enquanto nos escondíamos. E a brincadeira começava: em meio a gritos, quedas e gargalhadas, quem ela pegasse primeiro iria contar.

Era divertidíssimo! Lamentávamos apenas não poder brincar no resto da casa. Até um dia. Uma amiga minha havia ido para nossa casa, enquanto a mãe dela saiu com a nossa. Era noite, estávamos sozinhos, então por que não brincar de esconde-esconde no escuro pela casa toda? Eu, meus irmãos e minha amiga ficamos esperando no quintal, enquanto a mais velha arrumava a casa. Ela era esperta, ajeitava brinquedos e travesseiros para nos confundir. Já posso dizer que um desses brinquedos era uma boneca feia e enorme da qual todos tínhamos medo, exceto minha irmã mais velha, que era dona do monstrinho.

Mudamos um pouco a brincadeira: ela se esconderia e nós deveríamos procurá-la em meio a escuridão. Tudo foi apagado, ela se escondeu e, após contarmos, saímos à sua procura pela enorme casa. Sim, era realmente grande, com vários quartos. E para nós, naquele momento, se tornava ainda maior. Íamos em dupla: eu e minha amiga na frente, minha irmã e meu irmão mais novo atrás. Risadinhas nervosas, músicas e tentativas de susto não disfarçavam nada: todos estavam com medo! Ficamos em silêncio. Seria mais fácil encontrá-la, caso ela fizesse algum barulho.

Passamos pela sala, cozinha, corredor, quarto... E nada! Até que nos deparamos com uma porta fechada. Ela certamente estaria lá. Abrimos a porta, entramos no quarto, andando nas pontas dos pés, então a vimos: estava deitada na cama e, percebendo nossa entrada, se mexeu. Nem esperamos que ela se levantasse. Nos esbarrando e gritando, saímos correndo até o quintal sabendo que estávamos sendo perseguidos. Mas, quando chegamos, não havia ninguém tentando pegar a gente.

Com os rostos vermelhos e assustados, tentávamos entender o que estava acontecendo. Resolvemos entrar em casa, acendendo as luzes. E encontramos minha irmã, vindo do outro lado, brava por acendermos tudo, estragando a brincadeira. Ao explicar o acontecido, ela disse que estava em outro quarto (do lado que tinha surgido) - ainda não tínhamos ido lá. Não acreditando nela, fomos até o outro, o de antes, e encontramos o formato do corpo que supostamente seria o dela. Levantando o cobertor encontramos travesseiros e... A boneca monstrinho!

Ela se mexeu, disso não tínhamos dúvida. Nós quatro vimos e minha irmã estava sendo sincera demais para não acreditarmos. Foi real. E isso nos deixou com ainda mais medo do brinquedo. Minha irmã mais velha não acreditou, ninguém acreditou. Mas foi tão real, que ainda hoje não lembramos disso como algo causado pelo medo, adrenalina, ou algo assim. (Mas felizes porque nunca mais tivemos que ver a boneca, já que alguns meses depois minha mãe se livrou dela)

Se fosse mentira, depois de tantos anos, minha irmã teria dito. Mas ela garante até hoje que não estava lá. E nós garantimos que vimos. E eu penso então que talvez n ão é quando somos crianças que as coisas se tornam "reais demais", mas que quando crescemos, fantasiamos o que foi real por sabermos que não teremos mais a chance de viver coisas assim. E nem teremos a percepção de captar o que está bem claro na nossa frente.

05 Abril, 2008

Tédio musical

O ventilador faz um barulho. A princípio irritante, mas que aos poucos vai se tornando compassado. Algo como uma base na bateria. Se encaixa perfeitamente no tom da voz que fala lá na frente. O papel, se soltando da lousa, parece dançar, preso apenas por uma ponta. Vai e volta, vai e volta. Provavelmente ensaia alguns passos. Se o outro não estivesse tão bem fixado, poderiam fazer uma dupla.

Tum! Tum! Tum! O barulho não é tão alto como um tambor, mas tem o mesmo ritmo. Dá pra encaixar um contra-baixo e alguns solos de guitarra. Fumaça invade a sala, a intenção deve ser fazer um show. As pessoas também se movimentam - trocam o braço de apoio, balançam canetas, mexem a cabeça, olhando para os lados, para fora, mexem pés e pernas. Para lá e para cá.

O sol bate na frente, mostrando as sombras dançarinas das árvores. Mas elas não seguem o ritmo. Deveriam ter ensaiado com o papel da lousa. A letra da música não parece interessante, ninguém dá muita atenção. Mas todos seguem o ritmo... Tum! Tum! Tum... E o contra-baixo, a guitarra, as danças, movimentos quase involuntários. O calor, os bocejos, tudo dentro do ritmo.

Desligaram o ventilador.

A música acabou. A voz diz uma mensagem chata, a fumaça era algo pegando fogo lá fora, o papel não ensaia passos, está caindo, os movimentos são de impaciência. Tédio. Desligaram o ventilador. Acabou o show.

28 Março, 2008

Meme e (mais!) selos

O Raphael me convidou pra participar de um meme. Que consiste em mostrar a letra. Bizarro? (rs) Bem, eu achei super legal. Muitas pessoas sabem o quanto eu gosto de cartas e um dos motivos é justamente por poder observar as letras, ter essa aproximação maior, por não ser algo dentro de um padrão, digitado. Minha letra não é bonita, é minúscula e torta. Mas legível. Escrevi com o maior tamanho de letra que consigo. Essa frase foi dita no filme "A corrente do bem". Não exatamente como está aí, mas o sentido é esse. É um filminho que eu gosto e guardei essa frase, muito significativa.

Eu disse, bem torta. Passo esse meme para:

Júnior
Diogo e
Andréia

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Agradeço ao Júnior, do Chegou o tempo , por ter me indicado os seguintes selos:


Adorei esse selo! Obrigada mesmo, Júnior! É muito bom saber que as pessoas pensam e se lembram do que escrevo. Já falei em algum post que o que escrevo é muito mais pra mim, que pra qualquer outra pessoa (rs), mas fico feliz em saber que é útil, ou interessante pra outros também. Indico esse selo para:

Bruna e
Anna

Essas moças escrevem coisas que realmente me fazem pensar. Indico não só o selo a elas, mas os blogs a todos vocês.


Obrigada também pelos selos seguintes:


Esses eu indico a todos os blogs que estão na minha listinha ao lado. Todos merecem! Inté.

22 Março, 2008

Páscoa

O sol deveria estar bem forte, afinal, era meio-dia. Mas o céu estava escuríssimo, como se fosse noite. Um vento muito forte assustava as pessoas presentes ali. Um tremor de terra fez com que casas fossem derrubadas, o véu do Templo rasgado. Alguém que, até aquele momento não cria que Jesus era o filho de Deus, provavelmente começou a duvidar de si mesmo.

Jesus estava na cruz, morrendo. Seus olhos percorriam de uma pessoa a outra. Via a tristeza e as lágrimas de seus amigos, a satisfação dos judeus, as zombarias dos soldados. E por todos sentia a mesma coisa: compaixão. "Pai, perdoa-lhes", disse Ele se referindo aos que O colocaram naquela cruz, "eles não sabem o que fazem". Mas Ele sabia o que estava fazendo. Sabia que sua entrega traria a salvação. Que o véu havia sido rompido por Ele. Que sendo Deus e morrendo, todos poderiam ter acesso direto à sua graça.

Mas as dores estavam muito fortes. Jesus já não conseguia respirar direito. Sentia um peso enorme sobre si. Como um ser humano que percebe seu momento chegar, se sentiu sozinho. Após três horas preso naquela cruz (sem reclamar em momento algum), juntou suas últimas forças e gritou: "PAI, por que me abandonastes?" E entregou seu espírito a Deus.

Deus não havia abandonado Jesus. Três dias depois Ele se levantou. Ressuscitado. Com as marcas da cruz. Marcas que deveriam ser nossas. As pessoas viram-no vivo. Vivo. Não naquela cruz, não naquele sepulcro. As profecias - todas - foram cumpridas. Jesus foi para o céu em seu corpo glorificado.


Por isso a existência dessa data. A Páscoa não se refere a chocolates, nem Maria, nem penitências ou sacrifícios de nossa parte. Mas à lembrança do sacrifício de Cristo por nós. Porém o foco também não é a morte. É a ressurreição. Essa é a base da fé de um cristão. É isso o que devemos comemorar. Um dia de dor se transformou em um dia de glória; uma morte maldita (de cruz) se tranformou em símbolo de vida. A morte deixou de existir porque Cristo reviveu. Ele é a nossa Páscoa.