Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Selo, Homo sapiens, #forasarney

Pessoas! Eu aviso sobre meu retorno e desapareço por mais uns dias. Me desculpem. Foram duas semanas corridíssimas por causa do fim do semestre. Se tudo der certo, sexta-feira estarei de férias. Torçam por isso, estou com problemas em um dos cursos, o que não é nada agradável. De qualquer modo, hoje estou aqui para falar sobre algumas coisas rápidas.

Há um tempinho atrás, enquanto eu ainda estava ausente, o Mauri indicou um selo ao meu blog. Eu fiquei bem feliz ao ver que, mesmo parado, meu blog recebe algum tipo de reconhecimento. (rs) Ainda me pergunto o que faz com que algumas pessoas gostem daqui, mas acho melhor não fazer isso. Basta ver a atenção e carinho de vocês. Obrigada, Mauri, pela indicação. Por fazer já tanto tempo, eu não vou repassar para ninguém. Mas saibam, amigos blogueiros (links ao lado), que todos merecem. O selo é este:



Foi pedido aos indicados que falassem sua definição do que é o Homo sapiens. Caramba! Que coisa difícil! Quando pensei em responder, até pensei em dizer algumas coisas legais, bonitinhas e tal. Mas, nos últimos dias, meu pessimismo com relação ao ser humano aumentou de forma considerável. Digo o motivo. Vendo algumas discussões no fórum que participo, percebo como o homem pode ser totalmente intolerante diante de opiniões e valores diferentes dos seus. Como se apenas os seus próprios fossem corretos. Quando digo intolerância não é simplesmente não aceitar as diferenças, mas tratar com enorme falta de respeito quem é diferente. O mais triste é ver isso por parte daqueles que se dizem cristãos. Eles dão uma verdadeira lição do que é NÃO SER um cristão. O que me conforta um pouco é ver, por outro lado, aqueles que conseguem ser racionais o suficiente pra separar opiniões de direitos, por exemplo. Aqueles que são capazes de realmente entender a mensagem deixadas por Cristo, que não é nada além de amar as pessoas, independetemente de quem elas sejam.


Além disso, mudando de assunto, tenho acompanhado as novidades sobre a crise no senado. E me revolta (muito!) que as coisas se repitam dessa forma. E se repitam mesmo. Quer dizer, o que o Sarney ainda está fazendo no meio da nossa política? E se está, o que nós estamos fazendo pra que ele não esteja mais? Toda essa apatia e conformidade me incomoda bastante. E estudar Política na faculdade para depois ver como as coisas são de fato, é revoltante. E quase me deixam doente... Mas o que me conforta com relação a isso é ver que existem pessoas dispostas a fazer algo. No Twitter está acontecendo uma movimentação contra todos os acontecimentos chamada Fora Sarney. Os usuários do Twitter trocam notícias e comentários sobre o assunto e isso parece estar chamando a atenção, o que é muito bom. Além disso, amanhã, dia 01/07, ocorrerá uma movimentação prática na Avenida Paulista (todos os que quiserem e puderem participar, vão!) desse mesmo movimento.


Acho que, de forma geral, eu poderia definir o ser humano como alguém egoísta, instável e que não se importa, definitivamente, com os outros. Mas seria generalizar demais. Exceções (e não são poucas) mostram que meu pessimismo pode diminuir. E eu espero que realmente seja assim.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Eis que...

"Olha, olha! Espere... Não! É verdade! Sim, ela voltou! Isso é bom ou ruim? Digam vocês."

Essa foi a reação da minha amiga Samara Morgan ao saber que eu estou de volta com o blog. Sim, eu voltei. Com a promessa de responder todos os comentários deixados, visitar os blogs amigos e, obviamente, com novas postagens. Obrigada a todos pelos recadinhos. Minha ausência, como vocês sabem, não foi apenas pela falta de internet, então todas as manifestações de atenção para com minha pessoa muito me alegraram!

Nesse post, apenas o aviso de retorno. E um abraço bem grandão em todos.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Pausa

O blog está aos ventos. Não pensem que eu não percebi isso. Tenho lido os comentários que recebi no meu último post e em posts anteriores (alguns bem antigos). Prometo responder a todos em breve e visitar os que passaram no meu humilde cantinho na Internet. Qual a justificativa para o abandono? Nenhuma, na verdade. Só quis dar uma pausa. Precisei dar uma pausa. Colocar as ideias no lugar, tirar outras, diminuir minhas tarefas diárias, semanais, mensais. O blog não tem culpa de ter a dona que tem.


E então, quando decidi voltar, fiquei completamente sem Internet (pela milésima vez). Aí pensei: “Bem, já que é assim, vou estender a pausa.” E parei de pensar em coisas que não dizem respeito aos estudos. Não tanto por vontade própria, mas porque me atolei entre provas e trabalhos. Ainda estou sem Internet e ainda estou atolada, então minha volta não é para já. Mas eu volto. Em breve. É uma promessa. E eu procuro cumprir as promessas que faço.


Se existe algum louco o suficiente para desejar ler um post meu, anuncio que agora participo de outro blog também. É o Garotas (In) Comuns. Como vocês podem imaginar, é um blog só de meninas. Que aborda diversos assuntos sob diferentes pontos de vistas. Porque nós somos realmente bem diferentes. Mas tão (in) comuns quanto qualquer um. Meu dia de postagem é o sábado. Mas eu espero que vocês leiam todos os dias e deixem por lá seus comentários. E espero que gostem.


Espero que todos estejam bem e que, diferentemente de mim, estejam escrevendo. Faz bem. Um grande abraço e até a volta!

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Minha essência

Talvez eu nunca tenha escrito um post tão pessoal quanto esse. E talvez eu não volte mais a escrever outro parecido (isso é muito provável, na verdade). Mas hoje eu me sentei aqui à frente do computador sem sequer pretender atualizar o blog, por não ter nada mesmo o que postar, e por algum tipo de impulso resolvi vir aqui escrever. Em certos momentos esses impulsos me assustam... Mas deixa eu começar falando sobre o que pensei quando entrei aqui, porque esse post também será, acho, um pouco longo.

Há uns dias atrás eu comentava aqui em casa sobre algumas coisas que penso para o meu futuro. Uma dessas coisas é passar um tempo, mesmo que poucos meses, fora do Brasil. Estudando, de preferência. É fato que depois que comecei na faculdade, meus objetivos de vida (que não são muitos, porque eu detesto planejar o futuro, acho algo sem sentido e inútil) têm se voltado para coisas relacionadas ao meu curso, ao meu futuro acadêmico, já que pretendo seguir a área de pesquisa, e até mesmo à minha própria satisfação pessoal em conhecer outros pensamentos, outros lugares. Quando comentei sobre isso, minha irmã, um pouco indignada, me perguntou onde isso iria me levar. Bem, minha bola de cristal anda um pouco defeituosa ultimamente. O que ela quis expressar com esse comentário foi a preocupação dela com minha vida "espiritual". Eu sei, porque não é só ela em minha casa que acha que eu deixei de acreditar em Deus, ou qualquer coisa do tipo, só porque não frequento uma igreja. Não quero entrar nesse assunto, mas garanto que minha ausência em qualquer igreja não tem relação com minha fé em Deus, ou minha (tentativa de) vida cristã. Muito ao contrário. O que ela me disse foi que isso, esses meus vagos planos com relação à minha vida não deveriam ser minha essência.

Essência. Acho que às vezes usamos essa palavra de forma um pouco equivocada. Um certo tipo de banalização. Mas eu fiquei pensando nessa palavra e no que realmente ela quer dizer. Na minha essência, ou seja, o que faz com que eu seja quem eu sou, basicamente. Não que eu tivesse algum tipo de dúvida sobre qual é a minha essência, mas como não me permitir esquecer, é possível entender isso? Mesmo que outras pessoas não saibam ou não percebam qual ela seja... Enfim, foram momentos interessantes de reflexão.

E então chegou essa semana. Essa foi uma das minhas semanas mais longas e mais cansativas que eu consigo lembrar. E posso dizer que uma das mais frustrantes. Eu esperava por uma reunião, na qual eu tinha esperança com relação a determinada coisa (não vale a pena entrar em detalhes) que não se concretizou. Eu sabia que isso poderia acontecer, eu sabia que infelizmente tudo poderia não funcionar da forma como eu desejava, e eu não achei injusto. E eu sei que nada é definitivo. Mas ainda assim eu me frustrei. Fiquei e estou triste. Como "desgraça pouca é bobagem", para finalizar bem a semana, hoje roubaram meu telefone celular. Da maneira mais idiota possível. Foi de manhã. Consegui passar o dia consideravelmente bem, apesar do cansaço e dos acontecidos. Mas foi chegar em casa, tomar um banho e me sentar para pensar que desabei, como uma criança de seis anos. Pensando em como as coisas são incertas, passageiras, indefinidas, instáveis... E no quanto isso me assusta! Sim, acho que como qualquer pessoa "normal", eu tenho medo do futuro. Medo porque sei que as coisas nunca acontecerão como eu espero ou desejo, mesmo que aconteça da forma próxima ao que seria ideal na minha mente. E então fiquei mais triste.

Foi quando ouvi minha mãe cantar algumas músicas do hinário, que ela gosta de cantar. E eu também gosto. Acho que já disse aqui em algum post o quanto acho as letras sinceras, bonitas. E uma das músicas era aquela "Sou feliz". Que começa assim: "Se paz a mais doce eu puder desfrutar/ Se dor a mais forte sofrer/ Oh, seja o que for/ Tu me fazes saber/ Que feliz com Jesus sempre sou!" Eu pensei: Que ridículo isso! Que ridículo pensar que sempre seremos felizes, quando a mensagem cristã diz exatamente que sofreremos. Que ingênuo pensar em ser feliz em qualquer circunstância, quando de uma só vez elas se mostram, de vários modos, decepcionantes! Eu, sinceramente, nunca acreditei que o Cristianismo trouxesse felicidade. Porém, quando pensei nesse trecho da música me toquei de uma coisa: o autor estava falando da essência.

Isso não me alegrou. Fato. Novamente como qualquer pessoa "normal", eu preciso de um tempo pra lidar com acontecimentos desagradáveis. Mas me consolou, de algum modo. Me fez pensar que minha essência está acima que qualquer possível infortúnio da minha vida. Mesmo que muitas pessoas que leiam esse post não acreditem no mesmo que eu. Talvez alguém leia e nem acredite em Deus, ou talvez alguém em outro extremo acredite que tudo o que acontece é Ele manipulando nossa vida. Bem, eu não estou em nenhum dos dois lados. Sei que as coisas acontecem por atitudes nossas, mas acredito que Deus esteja de olho em todas elas. E penso, neste momento, que se eu ignoro isso, então esqueço a minha essência, que é o amor Dele. Eu realmente não me importo se isso soa abstrato. Não é para mim. E ainda bem que não é...

Peço desculpas pela total digressão que é essa postagem. Na próxima, algum escrito habitual.

Domingo, 15 de Março de 2009

Cegueira

Hoje, no ônibus, vi uma menina absolutamente linda. Um rosto que, certamente, até mesmo algumas modelos invejariam. Ela estava acompanhada da mãe, que a colocou sentada em uma das poltronas reservadas que, por sinal, era o último lugar disponível para sentar e a mãe ficou de pé. Eu estava sentada atrás e fiquei a pensar porque a mãe deixou a menina sentar e não o contrário. E ao prestar atenção nas duas percebi que a menina era cega. Isso se confirmou na conversa que se deu entre a mãe e a senhora sentada ao lado da menina, e depois ela própria. Ao descobrir que a menina (tinha cara de uns 16 anos) era cega, a senhora falou: Tadinha, tão jovem e bonita! Mas a moça mesmo disse que as coisas não tinham relação e que a vida dela estava bem adaptada à deficiência visual. Notei nela uma auto-confiança e gostei disso.

Me lembrei na hora do livro "Ensaio sobre a cegueira", do Saramago. Que nos faz questionar sobre qual cegueira exatamente ele trata. E fica óbvio que não é aquela física. Me lembrei não por causa da menina, mas pelo comentário da senhora, que provavelmente foi o meu primeiro pensamento e seria o da maioria das pessoas. Julgá-la como coitada por ser tão bela, porém cega. Exercendo neste momento uma cegueira espiritual, intelectual e até de valores.

Dá medo andar no escuro. Sem saber o que há pela frente, onde se apoiar, se for necessário. Não deve ser nada fácil para um cego se guiar, especialmente em uma cidade como esta. Mas existe uma coisa: ele está ciente de sua cegueira e, por isso, se adapta, modifica seu modo de vida e consegue se sair muito bem. O mesmo não acontece quando nos deparamos, de repente, na escuridão mental, por assim dizer. Não estamos adaptados e quase nunca queremos modificar a situação. E, como no livro, acabamos por encontrar muitos iguais a nós.

... E talvez quem menos imaginamos para tal tarefa passa a ser nosso guia.

Domingo, 8 de Março de 2009

Torcida adversária

Nunca tive nada contra o futebol. Ao contrário, sempre tive uma considerável simpatia e até tenho meus times preferidos. Mas em dias como hoje lembro-me de um amigo que odeia futebol e costuma dizer que esse é o vício mais alienante do brasileiro. Ele fica indignado com, por exemplo, os torcedores se unirem para reivindicar a saída de um dirigente do time, mas não fazem o mesmo com um político corrupto. Ou com as frequentes brigas que ocorrem entre as torcidas e que às vezes causam até mortes. Eu geralmente digo que as coisas não são bem assim (e não são), mas em dias como hoje, acabo concordando.

Em São Paulo teve o clássico Corinthians x Palmeiras. E eu fico verdadeiramente assustada ao ver como as pessoas se alteram nesses momentos. Eram 10h:30min e eu acordei com um grito "É Palmeiras!" de alguém (um tanto quanto sem noção) que passou na rua. Um pouco antes do jogo ouvia-se discussões calorosas sobre quem iria ganhar, sem falar naquelas bombinhas insuportáveis. Durante o jogo, os corinthianos resolveram se reunir na rua para assistirem o jogo. Foi o inferno. E isso resume tudo. Pois em um dia de domingo a última coisa que se deseja é tal coisa na porta de casa, convenhamos.

E é por isso que eu me lembro do que diz esse meu amigo, porque vejo uma movimentação enorme, pessoas fora de si, brigas por causa de UM jogo. Se fosse pelo menos o final do campeonato... E, de fato, é um pouco revoltante que para coisas extremamente importantes e que atingem diretamente a vida dessas pessoas, ninguém faça nada.

Óbvio que isso é generalizar. Estou certa de que existem torcedores menos fanáticos e que o futebol é também uma manifestação cultural e um modo de agir na (e, em alguns casos, pela) sociedade. Mas seria bom ter a mesma certeza de que ele não é um agente de alienação. E essa certeza eu não tenho.

Domingo, 1 de Março de 2009

Sem o que dizer

Desde ontem pretendia atualizar o blog, mas não tenho o que dizer. Ok, talvez eu até tenha, mas nada sai do meu cérebro de forma coerente. Não sei se é pelo calor, ou porque meus pensamentos estão direcionados a algo que venho estudando, então nenhum pensamento sobre outro assunto consegue ser finalizado. Minhas férias acabaram oficialmente e volto, então, à minha rotina de passar em média cinco horas por dia no ônibus e atravessar a cidade para chegar à universidade. Tenho me acostumado a isso, acreditem ou não. Esse semestre será mais pesado, terei uma matéria no período da noite. Ainda bem que não será um semestre, afinal, já estamos em março. E se depender de alguns alunos fanáticos por greve, o tempo será ainda menor.

É provável que minha frequência em postar aqui diminua, ficarei sem internet não sei exatamente por quanto tempo, espero que seja pouco. Mas darei um jeito de passar por aqui. A vantagem de estudar a noite é que, não podendo voltar pra minha casa, vou para a casa da minha tia, uma vez por semana. De lá eu visito vocês. É, também eu estou cansada dessas idas e vindas da Internet. Um dia isso não acontecerá mais, quando tudo depender de mim (rs).

Para não deixar vocês sem algo interessante para ler, coloco um recorte de um dos textos que tive que ler no primeiro semestre do ano passado, em Sociologia. Não pensem que todos os textos são de fácil leitura, assim. Na verdade, nem esse mesmo é, mas essa parte é um tanto quanto poética sobre quem é o sociólogo. Quando li confirmei o que eu queria quando pretendi estudar Ciências Sociais: ser socióloga. Acontece que depois de alguns meses meus passos me levaram para a Antropologia, é onde estou atualmente e, se tudo der certo, a área onde meus estudos serão aprofundados. Encantem-se.
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"Diríamos então que o sociólogo (isto é, aquele que realmente gostaríamos de convidar para nosso jogo) é uma pessoa intensa, interminável, desavergonhadamente interessada nos atos dos homens. Seu habitat natural consiste em todos os lugares de reunião humana, todo lugar em que homens se juntem. O sociólogo poderá estar interessado em muitas outras coisas. Mas seu interesse dominante será o mundo dos homens, suas instituições, sua história, suas paixões. E como ele se interessa por homens, nada que os homens façam poderá ser totalmente tedioso para ele. Ele se interesserá naturalmente pelos fatos que cativam as convicções supremas dos homens, seus momentos de tragédia, de grandeza e de êxtase. Mas também se sentirá fascinado pelo trivial, pelo cotidiano. Conhecerá a reverência, mas ela não o impedirá de querer ver e entender. Poderá às vezes sentir repugnância e desprezo. Mas isso não o afastará da resolução de encontrar respostas para suas perguntas. Em sua busca de conhecimento, o sociólogo caminha pelo mundo dos homens, sem respeitar as fronteiras costumeiras. Tanto a nobreza quanto a degradação, o poder e a obscuridade, a inteligência e a insensatez lhe são igualmente INTERESSANTES, por mais díspares que lhe sejam as posições que ocupem em sua escala pessoal de valores ou em seu gosto. Assim, suas perguntas poderão conduzi-lo a todos possíveis níveis da sociedade, aos mais respeitados e aos mais desprezados. E se ele for um bom sociólogo, ele estará presente em todos esses lugares porque suas próprias perguntas o obcecaram a tal ponto que lhe resta pouca alternativa senão procurar as respostas."

Peter Berger - Perspectivas Sociológicas - Uma visão humanística

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

A maldita perseguição dos clássicos

Acabei de ler "Os irmãos Karamazovi", de Dostoievski. Um livro formidável, que recomendo a todos. Escolhi ele para ler nessas longas férias que tive porque já havia lido outros do autor que gostei muito e porque os autores russos me agradam, de forma geral. Algumas pessoas costumam sempre me perguntar o que estou lendo no momento, pois sabem que eu gosto de ler. E, de fato, eu sempre estou com a cara enfiada em algum livro. E dessa vez - mas não foi a primeira - quando dizia o nome e o autor, pelo menos duas pessoas soltaram um "Noooossa!", como se isso fosse algo tão extraordinário. Para uma das pessoas eu perguntei o porquê do comentário e ela me disse exatamente que "para ler um livro assim tem que ser uma pessoa muito culta".

Duas coisas me incomodaram nessa fala. A primeira é que deu a entender que é um livro inacessível intelectualmente a determinadas pessoas, o que eu não posso, de forma alguma, aceitar. Então perguntei: "Mas você não acha que Dostoievski poderia se tornar leitura popular, com um pouco de incentivo?" E a pessoa se limitou a dar uma risadinha e dizer que era impossível. Pode-se alegar que ele tenha uma linguagem difícil, ou que seja uma leitura muito densa, mas ainda assim não é justificativa para que ele não possa ser mais lido. A prática da leitura se encarrega de torna-la fácil e agradável. E por que subestimar as pessoas?

A segunda coisa que me causou incômodo foi a rotulação. Não entrarei agora nesse mérito, rotulações podem ser boas e ruins. Mas me fez lembrar de um outro comentário que ouvi (esse foi no ônibus, não comigo), exatamente sobre ler Dostoievski, que uma menina dizia que as pessoas gostam de ler Dostoievski para fazer pose e dizer quer já leu. E que a maioria era indie e pseudo-cult. (Eu tentei ver a ligação disso com estilo e gosto musical, mas não consegui.) Naquele momento fiquei pensando que eu não era indie, nem pseudo-cult (seja lá o que isso signifique) e tampouco lia para fazer pose, mas pelo simples prazer de ler. Como me encaixava nesse rótulo? Fiquei a pensar, então, uma coisa que daria um nome de filme de terror, daqueles trash: "A maldita perseguição dos clássicos".

Percebi que muitas pessoas têm um certo preconceito, uma aversão ou até medo mesmo (já ouvi essa expressão) de clássicos da Literatura. Talvez porque já nas escolas se crie um mito de que um clássico é difícil de ler, é de um autor renomado, ou seja, colocam um peso sobre a leitura que causa esse imaginário em torno de autores como o próprio Dostoievski. Ou no Brasil - não comparando o estilo ou tema da escrita - Guimarães Rosa, por exemplo. E isso é agravado pelo fato de não haver um incentivo à pratica da leitura. Então talvez por não terem lido, ou por ouvirem falar, ou ainda pela impressão negativa colocada sobre certos livros e autores (o tal peso), as pessoas pensem ser algo extraordinário, o que, realmente, não é. Falta, definitivamente, o incentivo.

Os clássicos são tão acessíveis quanto quaisquer livros. Em qualquer biblioteca pública é possível encontra-los. O grau de dificuldade da leitura dependerá unicamente do leitor e isso não tem a ver com ser ou não "uma pessoa culta". Infelizmente, existem tabus a serem quebrados em todas as áreas.

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Igrejas e educação sexual



* Esta postagem faz parte da blogagem coletiva, promovida pela Blogosfera Cristã. Para fazer parte da blogosfera e ficar por dentro dos assuntos, acesse o site.

Falar sobre sexualidade dentro das igrejas, ou entre pessoas que tendem a ter uma visão limitada do Cristianismo, ainda é um tabu. Sobre o assunto, a única coisa que a maioria das igrejas têm a dizer é: Não faça sexo antes do casamento. Ouvimos isso desde que somos crianças e ainda nem sabemos o que é sexo. O problema é que depois que crescemos o discurso não muda: continuam proibindo sem explicar exatamente o porquê e sem instruir. Nesse tema proposto, vários aspectos poderiam ser abordados, inclusive, exatamente sobre o sexo antes do casamento, ou o que seria o casamento. Mas tudo o que diz respeito ao assunto parte de uma única pergunta: por que não se fala de sexo nas igrejas?


É uma pergunta simples, convenhamos. Mas não será tão simples se feita dentro de uma igreja. Isso certamente faz parte do método adotado com relação a qualquer outro assunto: não questione, obedeça. E isso pode ser extremamente problemático. Dentro da questão da sexualidade não é difícil identificarmos alguns problemas que a proibição pura e simples traz. Cito dois exemplos: A falta de instrução faz com que um número considerável de jovens, sem entender o porquê de não poderem fazer sexo antes de se casarem e considerando isso um pecado mortal, apressem seus casamentos para poderem se relacionar sexualmente. O problema disso é que o casamento já começa de forma errada, por causa do sexo e não do desejo de construirem uma vida juntos. Um casamento assim está praticamente fadado ao fracasso. (Sendo que o casal deverá continuar junto porque a igreja não admite o divórcio.) Um outro exemplo é com relação à pureza, tão pregada pelas igrejas como sendo simplesmente a não prática sexual. O que acontece, então, é ouvirmos diversas histórias de adolescentes e jovens que fazem tudo o que se pode imaginar, exceto o ato em si (correndo risco de adquirirem doenças, inclusive), com a consciência de que são "puros". Talvez as igrejas não percebam ou não queiram perceber que isso ocorre com uma frequência espantosa.


Esteja claro que esse texto não pretende dizer às igrejas que mudem seus conceitos sobre o sexo ou quando ele deve ser feito, mas que abordem o tema de outra maneira. Ou melhor, que abordem o tema. Educando sobre os aspectos físicos, inclusive, afinal, eles não podem prever o que acontecerá na vida de cada indivíduo. Educando e explicando o que é o casamento (quando ele começa) e por que o ato sexual está diretamente ligado a ele (e não tem a ver com cerimônias). Ora, é preciso entender que temos uma vida, ou seja, todos os assuntos se referem a ela, não é uma vida religiosa, outra profissional, outra afetiva. Isso significa que para cumprir bem o seu papel, a igreja deve abordar todos os assuntos de forma a instruir (com bases bíblicas) para que cada um tome sua própria decisão. E não proibir sem explicações e ainda criar barreiras para que se fale no assunto.


Não é tão difícil entender o medo e/ou vergonha em discutir sobre sexualidade nas igrejas, ou à luz do Cristianismo. É cultural até. Mas é algo tão natural a nós quanto qualquer outra coisa. Essa falta de debate gera a falta de esclarecimento que, por sua vez, só pode trazer problemas. Como um casamento por pressão, uma gravidez indesejada, doenças, obediência por medo e, talvez uma das piores coisas, o falso moralismo.

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

"Sí" para Chávez

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, conseguiu o direito de se reeleger por quantas vezes quiser e acha isso democrático. A oposição acha a atitude do presidente arbitrária (desconsiderando, de certa forma, os votos) e acha que seu posicionamento também é democrático... Pois ainda tem gente que tenta definir o que é democracia!

Não faço uma análise do governo de Chávez. Mas acredito que deve haver uma razão convincente para que as pessoas o tenham reelegido e agora votado "sim" no plebiscito. E se olharmos de onde são essas pessoas, talvez possamos enxergar mais que uma razão. Mas o meu pessimismo político não me permite crer que essas razões são totalmente racionais. O que não me faz, também, acreditar nas "boas intenções" da oposição.

Vamos esperar pelos próximos capítulos e ver o que acontece.